To love you more - Celine Dion

Lady - Lionel Richie

17.4.10

Penso assim ( 1974 )

PENSO ASSIM

Instantâneamente a lua ficou suave e sinistra. A loucura invadiu-me o corpo até à medula.
Não podia acreditar naquela fantamasgórica visão.

O meu pensamento vacilou.
Caiu!

Apesar de pensar não o ser, fui céptico, num ápice somente, e duvidei do que via, duvidei da minha própria existência.
Como pode um ser pensante pensar que pensa em nada e o pensamento se acaba quando a negritude do incógnito começa?!...

A minha filosofia agigantou-se e, de repente, pensei ser o maior vulto pensante do mundo, do universo profundo. Mas quê? Hoje,eu decidi não acreditar nem na Terra nem na Eternidade e, muito menos na harmonia pré-estabelecida dos astros.
Por um tempo, por um tempo apenas, tudo tem um quê que ninguém jamais descobriu ou descobrirá.

A razão de ser ultrapassa as diferenças da cor da raça e da pele. A razão de pensar ultrapassa o porquê da originalidade e da diferênça.
A razão de amar ultrapassa as fronteiras e os padrões da beleza e dos convencionalismos estereotipados.

A minha explicação pode ser pessimista, optimista, inverosímel ou aceitável, mas nunca por compaixão.

Eu não necessito de um sim ou de um não categórico ou hipotético e muito menos sonso ou patético de ninguém, nem tampouco da clemência dos que nada sentem por nada.
Vivo por mim, primeiro, e sobretudo para mim. Os outros em nada diminuem ou acrescentam à minha vida, os outros são nuvens que ora engrossam como se desfazem.

Os outros!
Pensar que não sou só?

Pensar que devo partilhar algo de mim com os outros?

Não sou comunista nem... afinal de tudo, nada! Simplesmente egoísta? Racional? Agnóstico? Animal? E agora?

Pelo menos admito algo que os ditos exclusivista da verdade contestam: a possibilidade do amor, do altruísmo e da verdade nos outros.

Diz-me, sombra amiga, não me sentes? Duvidar do calor que a minha mão dá à tua face é duvidar que eu sou homem e tu ès mulher. Oh, mas para quê cogitar no que os outros possam pensar de nós? O nosso mundo não admite mais ninguém, somos assim: um círculo fechado que se sente condenado! Somos assim, simplesmente nós!

Amigos de agora, inimigos de logo? Não! O sentimento pode mudar, mas o olhar nunca vê e não vê ao mesmo tempo. Eu só te vejo a ti, embora por vezes negra, branca e colorida.

Diz, sabes que uma simples frase a preto e branco pode encher de cor a tua vida?
Amo-te!

O que interessa é ver-te a meu lado e saber que não estou condenado a ser egoísta, a ser céptico porque o teu sorriso divino é simplesmente magnético!

Olha, acho que devo deixar de pensar tanto nos mistérios da vida e nos outros e usufruí-la aos poucos... como loucos que sabem o passado pertence à história, o futuro é um mistério, e só o presente é uma dávida que ninguém poderá recusar, se não quiser ser amaldiçoado e condenado ao degredo eterno!

Nada meigo o nosso Deus, Senhor da Terra e dos Céus! Ah! Parece que a minha tentação acabou...


LMP, FIOLHOSO, PORTUGAL
- 1974 -
Pulsações Clandestinas

LMP - Luxemburgo, 17-04-2010

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